Arquivo da categoria ‘Crônicas’

Carta da desilusão

Abril 6, 2008

Moreno, acho que é tu quem ainda vai dormir e acordar nos braços de um outro alguém…
Acho que o que poderíamos ter tido, já nao podemos mais. Tu nunca saiu, e hoje que eu voltei mais cedo só pra te encontrar, tu não está.

Me pego pensando quando tu esteve, e já não acho nada pra dizer. Quando eu achei que ia dormir com a lembrança de um beijo teu, com o carinho de um abraço teu, descubro que vou dormir é com a dor de uma ilusão minha.

Desculpa, se eu esperei demais de ti. Desculpa se te assustei por gostar demais de ti. Descupa por escrever o que eu realmente senti.

É que é só o teu beijo que fez meu mundo louco parar de girar, é só o teu olhar de compreensão que me derrete inteira. É só o teu toque macio que descobriu de verdade todos os centímetros do meu corpo, me fazendo delirar.

Eu enfrentaria mil coisas por ti, sem nem pensar. Cofiaria meu mundo a ti, sem nem pensar. Seguraria tua mão nos dias mais difíceis, sem reclamar. No teu colo eu deitaria e dormiria com a mente tranquila, sempre me sentiria segura. Mas só de besta que eu sou, pq tu nunca sentiria o mesmo. Nunca sentiu…

Pra mim, é sempre a música menos romântica.

Um beijo,
Morena

O banco vemelho do Jardim Ipê

Março 13, 2008

Tenho consultas psiquiátricas toda a semana, o que deve significar que eu tenho, no mínimo, um problema. A questão é que era uma tarde quente de terça-feira e meu humor estava ótimo – eu tenho meus ataques de otimismo – mesmo sabendo que encararia dois ônibus até chegar em casa. “Tudo bem, Mari, fácil, tu tá com uma baita barriga, tri grávida! Chega nos bancos vermelhos e PÃN, alguém VAI te dar lugar.” isso era o que eu pensava. Entrei no Jardim Ipê cheio, tá, eu era a única pessoa em pé. Cheguei perto dos bancos vermelhos e vi uma guria de uns 15/16 anos sentada, bem bonitinha, com sua bolsinha fora de moda, postei-me do lado dela e fiquei esperando o gesto. Esperei 5min e, vendo que o único gesto que eu veria seria um sorrisinho de compreensão da sra que estava sentada ao lado dela, não me aguentei:

- Oi, tu tá na escola?

- Sim.

- E já aprendeu a ler?

- Sim.

- E a compreender o que lê?

- Sim.

- Então tu pode ler e interpretar o que está escrito ali naquele adesivo da janela? – E, juro, disse tudo isso com um sorriso no rosto, NA MELHOR DAS INTENÇÕES! Ela leu mentalmente, virou o rostinho angelical para mim e retrucou:

- Eu paguei. – Daí não me segurei, ia mandar ela longe, mas a educação, graças a Deus, falou mais alto:

- Eu também, então, por favor, sai do lugar que é reservado pros idosos, gestantes e deficientes, ok? – A guria ficou num vermelhão e levantou, sob o olhar estupefato da sra ao seu lado – acho que ela não achou que eu fosse resolver meu problema com um sorriso no rosto. Quando sentei faltavam três paradas pra chegar ao meu destino, mas tudo bem, pelo menos eu consegui o lugar que era meu POR DIREITO.

Mari